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LAWA procura cineastas

We are seeking film makers that would like to create this short 1-2min institutional video presenting LAWA and what we do, to present at our 30th anniversary Gala this October 6th 2017.

Your creativity and pro-bono support can make a huge difference in helping us showing the world what makes LAWA so special, how we empower women to empower themselves and why need the public’s support to continue to tackle gender violence and create brighter futures for migrant families.

If you are interested in getting involved , please contact: salma@lawadv.org.uk

Sou afrolatinx

Ornella Ospino é um jovem afro-colombiana. Envolvido na campanha Justiça para Pessoas que limpam (Justice4cleaners) na SOAS, University of London (A Escola de Estudos Orientais e Africanos, SOAS, University of London), o seu sentido de justiça social, afrofeminismo e descolonialidade, ela se envolveu à campanha Salve o Pueblito Paisa (#SavetheLatinVillage) uma luta da comunidade colombiana contra gentrificação na cidade de mercado de Haringey. Ornella também faz parte do coletivo queer The London Latinxs e parte de Mulheres de transformação (Change Maker Programme).

Como parte do oficina Afrodescendencias, pedimos Ornella para compartilhar uma reflexão de si mesma e se descreve como. Sua reflexão é importante porque um desafio que nós, as mulheres de origem latino-americana, ascendência Africano ou outras minorias étnicas em tais contrastantes como Londres é que nos tornamos conscientes de nossas interseções quando nossos corpos têm travado batalhas contra o racismo, a discriminação, exclusão de status econômico, social ou de imigração. Face a estes desafios, não é integração baseada impossível e reconhecendo as muitas facetas de nossas identidades pessoais e coletivas pode mover-se para a capacitação pessoal e colectiva. Ela nos diz sobre Ornella.

Para mim, a primeira coisa que me vem à mente falando sobre este assunto, é uma conversa que tive com meu padrasto quando ele me perguntou se eu realmente me sentia diferente. Ele me perguntou se minha cor de pele e minhas características representavam alguma diferença no contexto britânico e se isso me afetava no meu dia a dia. Eu fiquei surpresa por um momento, me pareceu absurdo perguntar algo tão óbvio. Mas ele me garantiu que só queria saber minha opinião. E eu muito calmamente disse “a coisa é … .que desde que nasci, a sociedade me disse que eu era diferente.”

A conversa continuou e eu expliquei que a minha vida tem sido um aglomerado de acontecimentos que reafirmam a minha diferença. Mas agora, mais do que trauma, encontro forças e orgulho em ser diferente. Porém isso não foi sempre o caso, para mim ser de ascendência africana tem sido uma mistura de muitas coisas na minha vida e é só agora que eu estou aprendendo a curar e a me amar pelo que eu sou.

Na minha infância, eu fui para a escola com meninas ricas, brancas, de cabelos lisos. Todas orgulhosas de serem de descendência européia, falando sobre suas viagens para os Estados Unidos e dos cruzeiros que embarcavam durante as férias de verão. No meu quarto éramos 3 morenas, ainda que vivêssemos em uma das cidades de maior diáspora afrolatina em toda a Colômbia. Durante grande parte de minha vida eu fui minoria. Para mim, a diferença era inevitável, não podia ignorar. Cabelo liso e comprido era o ideal, assim que a cada duas semanas eu ia ao salão de beleza já que “domar” meu cabelo em casa era muito trabalhoso. Uma causa de ansiedade para mim e minha mãe. Quando ia ao salão, via as cabeleireiras discutindo quem faria o grande trabalho de lidar com o meu cabelo, ouvia “Fulana, é complicado, faça você!” ou ocasionalmente ouvia “não…. ela tem cabelo feio” . Eu era sempre o última no salão. A cabelereira suada me dizia ” Querida, você tem um cabelo fodido , mas pelo menos um pouco mais flexível do que o da minha filha, ela sim tem um cabelo horrível.”

Pequenos momentos como estes foram formando a percepção de mim mesma e de minha herança. Na escola, todos os dias eu colocava elásticos e tiaras. Por um tempo, eu só usava gorros para esconder meu cabelo indomável. No recreio, eu corria para o banheiro para encharcar meu cabelo de água para meus cachos não serem notados. O gel estava sempre presente. Eu não podia deixar que minhas companheiras vissem que eu era diferente.

Cada aniversário com festas na piscina eu ficava preocupada e pensava “se meu cabelo secar todos verão como é feio, melhor ficar mais um tempo na água e assim ninguém vai ver” e claro, sempre me resfriava.Mas mesmo assim, com esta mentalidade auto depreciativa ia à casa da minha avó, uma mulher negra. Ela é a minha adoração, porém eu nunca havia percebido que tudo o que eu odiava em mim mesma era tudo o que eu amava nela.

E agora eu penso, puxa, que ridículo tudo o que eu fazia para que as pessoas não vissem o meu cabelo, quando agora todos aqui no Reino Unido me dizem ” que lindo cabelo você tem”, mas como? Se nos noticiários, todas as negras e morenas têm o cabelo escorrido, minhas tias sempre com alisamentos, as empregadas domésticas com o cabelo queimado de tanta chapinha? Ao longo da vida, todos me diziam que eu devia esconder o que era por que não era bonito e nem apresentável.

Por gerações nos disseram que nossos corpos são para que os outros os julguem, vivemos sob as regras que nos foram impostas. E assim nos dizem, aceita, muda e cala a boca. Transforma-se e conforma-se aos nossos ideais.

Mas agora vejo que foi um presente ser diferente, eu vejo que este ódio que eu tinha de mim mesma, esta vergonha são mentiras, são palavras que nos dizem para nos manter dóceis. Agora vejo que ser diferente é uma bênção. Que eu jamais devo me desculpar pelo que eu sou. De hoje em diante estou grata por ser o que sou e não tenho que gastar dinheiro para ir alisar o cabelo, não tenho que gastar fortunas como as branquinhas para ter a cor de pele bonita que eu tenho.

Nossos povos repetem a opressão do tirano branco e ferem as comunidades indígenas e afro-descendentes com retóricas européias. Mas não deve ser assim.

Meu corpo é bonito, minha descendência é bonita e eu sou orgulhosa. Para mim, ser Afro Caribenha e amar-me a mim mesma é ser radical e transgressora, é não me conformar, é ser forte e lutadora. Pon así: Para mim, ser Afro Caribenha é amar a mim mesma, é ser radical e transgressora, é não me conformar, é ser forte e lutadora.

Tradução: Ana Rojas

 

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O que isto significa? Sua generosidade nos permitirá fazer muito mais para mulheres atingidas por violência e tráfico sexual. Cada centavo vai para salvar e transformar a vida das mulheres que vivem em nosso refúgio, que é o único desse tipo no Reino Unido e na Europa.

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